ECONÔMICO E FINANCEIRO

Cenário Macroeconômico

Mundo

No cenário internacional, 2019 apresentou um forte aumento da incerteza por parte dos agentes econômicos que ocasionou maior percepção de uma desaceleração da economia mundial. Outros elementos que contribuíram para as incertezas do mercado foram as relações geopolíticas, como a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) e os protestos em Hong Kong, Chile e outros países.

As inseguranças ligadas a esses fatores resultaram em uma elevação da aversão ao risco pelos investidores, o que pressionou os preços dos ativos em mercados emergentes ao longo dos meses. O ano, porém, se encerrou com a redução dos principais riscos que ameaçaram a economia mundial em 2019, sobretudo com a fase 1 do acordo comercial entre os Estados Unidos e a China que adiou por tempo indeterminado uma nova rodada de acréscimo de tarifas pelo governo norte-americano. Tarifas anteriores não foram retiradas até o fechamento do ano, no entanto, houve aumento do otimismo por parte dos agentes econômicos.

Em relação à política monetária dos Estados Unidos, o Banco Central americano (FED) decidiu manter suas taxas de juros inalteradas. Já no ambiente político, a eleição presidencial deve ser um dos assuntos a serem monitorados pelos mercados.

O crescimento dos Estados Unidos teve queda, indo de 2,9%, em 2018, para 2,3%, em 2019. Na Europa, o risco de um Brexit sem acordo diminuiu após os conservadores obterem maioria no Parlamento do Reino Unido. Nesse contexto, a expectativa é que o crescimento econômico para a região fique em um patamar baixo, próximo de 1,2%, segundo as previsões da Comissão Europeia de novembro de 2019.

Por fim, na China, os dados econômicos apresentaram sinais de que a aceleração econômica está se estabilizando. Mesmo alta frente ao resto do mundo, o país teve sua menor elevação anual em 29 anos, fechando 2019 com avanço de 6,1%, ante uma taxa de 6,6% em 2018.

Brasil

No âmbito político, o ano foi marcado pela mudança no governo brasileiro, com grandes expectativas por parte dos agentes do mercado em relação à manutenção de avanços na área fiscal, à aprovação de propostas para a redução do nível da dívida pública e a uma agenda de medidas para favorecer o ambiente de negócios no país. Um dos destaques foi a reforma da Previdência, apresentada no início de 2019 e aprovada no segundo semestre, mesmo que com impactos menores do que os esperados.

O ano de 2019 começou com expectativas otimistas de crescimento econômico, porém a atividade não demonstrou a força inicialmente estimada no decorrer dos meses, em um ambiente de maior incerteza, especialmente quanto ao cenário internacional e à confiança dos agentes econômicos.

O aumento do PIB no ano foi de 1,1%, alcançando R$ 7,3 trilhões e ficando abaixo, portanto, das projeções de 2,5% que predominavam na abertura de 2019. Já para 2020, a perspectiva é de elevação de 2,3%, de acordo com o relatório Focus divulgado no dia 27 de dezembro de 2019.

Esse cenário local, somado aos atuais níveis de juros globais, vem influenciando o mercado de juros no Brasil, pressionando as taxas para baixo. O Banco Central do Brasil seguiu reforçando que o nível inflacionário permanece estável e que o balanço dos riscos para a inflação evoluiu de forma positiva. A partir do segundo semestre, a autoridade monetária retomou o ciclo de redução da taxa básica de juros, Selic, que, no início do ano, estava em 6,5% a.a. e atingiu, no fechamento de 2019, o patamar de 4,5% anuais.

O setor previdenciário

Depois de anos de tramitação, a reforma da Previdência foi finalmente promulgada em novembro de 2019. Segundo o Executivo, o objetivo da medida é reduzir o deficit nas contas da Previdência Social, com economia estimada de cerca de R$ 800 bilhões em dez anos.

Com regras mais rígidas, que estabelecem prazos mais longos para acessar os benefícios e reduzem os valores pagos, a previsão é que o novo ambiente leve ao crescimento do setor de previdência complementar no país.

De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), o sistema administra um patrimônio na casa dos R$ 970 bilhões e conta com 2,8 milhões de participantes. Seus 860 mil aposentados e pensionistas recebem um total de R$ 60 bilhões em benefícios por ano – média de aproximadamente R$ 6 mil mensais por assistido. A projeção da Abrapp de retorno médio dos investimentos do setor em 2019 é de 13,0% ante uma TJP/Taxa de Juros Padrão (INPC mais 5,8% ao ano) de 10,7%.

Nos últimos anos, o sistema registrou avanços de peso em diversas frentes, assegurando ainda maior solidez, credibilidade e segurança para as patrocinadoras e os participantes. Alguns exemplos são a autorregulação em governança e investimentos, o CNPJ por plano, os processos de certificação e a capacitação de dirigentes e profissionais.

Com a janela de oportunidades aberta pela aprovação da reforma da Previdência, a previsão é que o patrimônio das entidades fechadas supere a marca de R$ 1 trilhão já no primeiro semestre de 2020. Há ainda um grande desafio pela frente no sentido de ampliar a educação financeira e previdenciária entre os brasileiros a fim de que haja um efetivo planejamento de longo prazo, com vistas à preservação da qualidade de vida na aposentadoria – meta primordial dos planos fechados de previdência complementar.


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